Vou deixar minha janela aberta



   Ainda não consigo ver uma foto sua sem chorar. Sem pensar: nós nunca mais teremos outra, nunca mais haverá outra foto. Porque a triste verdade é essa, você não vai voltar. Para alguns casais é fácil fazer drama, pois logo eles voltarão. Logo eles vão estar de novo de braços entrelaçados, rindo de como a briga foi boba e voltar ao normal. Mas não a gente; nós nem chegamos a brigar. Um relacionamento sem uma briga séria, parece até mentira, bom demais para ser verdade.
    Parece que é só isso que sei fazer não é? Reclamar dos outros. Como todos parecem mais felizes, como todos parecem mais saudáveis, como a vida de todos parece mais fácil. E para descontar eu meto minha mão no teclado, minhas lágrimas em formas de palavras, para ver se assim eu desidrato menos. Conto tudo aqui, direcionando tudo a você, mesmo que você não possa mais mexer no seu e-mail, mesmo que fique mais de 100 e-mails não lidos na sua caixa de entrada; eu continuo a escrever, pois você continua sendo meu porto seguro de todas as horas.
   Se você estivesse aqui falaria alguma besteira e mexeria no meu cabelo, porque você sabe que isso me deixa feliz. Não conto o cabelo faz quase um mês; é, ele tá quase uma juba como você diria. Você saberia o que fazer, se estivesse aqui, tenho certeza disso. Pois você era aquele menino com confiança, que sabia o que dizer em qualquer momento, e eu era a garotinha que sonhava e criava. Eramos uma boa dupla, um bom casal, bons amigos. É, nós eramos, não eramos?
    Minha mãe está preocupada comigo. O medo de que eu faça algo a mim mesma é mais que visível em seus olhos claros. Ela sente a minha dor, posso notar isso. Tem dias que ficamos nós duas abraçadas, sem dizer nada, pois ela sabe que eu não aguentaria falar, nem se quisesse, e não quero. Se eu disser em voz alta, será uma verdade, e não quero a verdade, não agora. Passo os fins de semanas vendo séries com meus pais, tentamos começar e terminar o máximo de séries possíveis! Acho que são nessas horas que você não passa pela minha mente, só nessas horas.
   Parece que cada sorriso que algum menino me dá, qualquer piada boba feita por alguém, qualquer poema, qualquer jogo de futebol, qualquer superherói, qualquer vans, qualquer coisa me lembra de você. Mas nenhum momento é tão triste quanto esse horário, dentre as 20h às 22h, que era o nosso horário. O horário que ambos podíamos fugir para os notebooks e passávamos o tempo conversando. Conversávamos até algum de nós perder o notebook, até um de nossos pais mandar a gente ir dormir porque tínhamos aula no dia seguinte dizendo o famoso: vocês vão se ver amanhã.
   Bem, meu horário já está acabando. Apesar do frio congelante, vou deixar a janela aberta. Vou deixar ela aberta, na esperança que você, agora que é meu anjo da guarda, venha tomar conta de mim. Venha passar um tempo comigo. Nem que seja nos meus sonhos, apareça. Pois sinto muita sua falta, meu anjo.

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