Um conto de Peter Pan.





  Era outra noite fria em Londres , outro dia se passava e outra noite chegava. Mas hoje não era um dia qualquer para algumas pessoas, e uma dessas pessoas era Wendy; a noite estava longe de ser comum para ela. Afinal, era hoje que ela finalmente vestiria o vestido branco e era hoje que andaria no altar. Ela tentou evitar que esse dia chegasse, queria ver o Peter mais uma vez antes de estar realmente comprometida. Não que ela odiasse seu noivo, mas ele não era o Peter.
   O que ela não sabia é que ela não era a única triste nesse dia tão feliz. Alguns metros acima dela estava um menino todo sujo, com roupas todas esfarrapadas e ao lado dele havia uma cintilante luz. O que havia com ele? Seria coração partido que estaria acontecendo? Ele poderia negar e negar caso alguém o perguntasse, mas ele sentia.
   Quem perguntaria? Ele mesmo debochou de si mesmo. Não tenho ninguém, pensou. Anos se passaram e ainda não achei novos parceiros, tripulantes, crianças para ficarem do meu lado contra a luta do Gancho. Ao lado dele, a luz cintilante rodava loucamente:
 - Nós já vamos, Sininho! – Peter gritou para a luz que automaticamente ficou quieta. – Só preciso ver ela mais uma vez.
  Sininho bateu impacientemente os pés. Ignorando, Peter foi mais perto da Igreja, que agora se enchia de pessoas tanto novas quanto velhas. Dentre tantos rostos, Peter começou a procurar por João e Miguel. Depois de alguns rostos que para ele não eram importantes, ele achou os amigos, estavam os dois de ternos, bem apresentados; a visão fez Peter gargalhar:
 - Esses dois? De terno? – disse ele entre as risadas – Que figura.
   João e Miguel estavam parecendo adultos; o pai deles estava ao lado e cochichava algo para os meninos. Peter queria poder ouvir o que eles estavam comentando, mas não podia ser visto. Além deles, também estavam todos aqueles que o Peter um dia havia levado para a Terra do Nunca e vê-los todos crescidos e de terno fez com que ele ficasse triste e risse ao mesmo tempo.
   Depois de vários minutos e várias implorações de Sininho para saírem de lá, Wendy apareceu. Estava de vestido branco, linda como Peter sempre soube que estaria. Nesse momento Peter desejou que fosse ele do outro lado da Igreja, aquele que ela sorria.
  Peter ficou bastante tempo vendo a cerimonia, ele via tudo das grandes janelas que continham em volta de toda a Igreja.  O silêncio feito por todos fazia com que Peter pudesse ouvir o que o padre falava. Bem, Peter ouviria melhor se Sininho não ficasse cutucando ele e gritando dizendo que queria ir embora, mas Peter sempre a ignorava.
 - Se alguém tem algo contra o casamento desses dois, fale agora ou cale-se para sempre.
 Essa era a minha deixa, pensou Peter; com todo o cuidado do mundo, ele partiu. Fez o máximo para não olhar para trás, fez o máximo para lutar contra aquele sentimento que nunca o deixou: amor perdido. Lá se ia o menino que seria um menino para todo o sempre, de coração partido e sem amigos. Mas ele mudaria isso, pensou ele, logo na primeira curva, achou três meninos na rua, andando sem rumo e brincando entre si de piratas.
 - Vocês querem ir para um lugar aonde piratas são reais? – disse Peter para os três meninos, que logo concordaram. – Mas, vocês terão que deixar essa vida, vocês não terão identidade, só apelidos que eu criarei.
  Os meninos continuaram a concordar. Peter balançou a cabeça para a Sininho que logo jogou um pouco de pó mágico nos pobres meninos.
 - Vocês tem que acreditar. – Disse Peter por fim.
  E logo, os quatro meninos estavam voando, voando até a segunda estrela a direita.

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