Minha memória viva.





  "Alice Cardoso está solteira"
  Você não sabe como foi difícil atualizar meu status. Você não sabe como foi difícil esses últimos dias, parte de mim implorava para que tudo isso fosse um sonho e depois de uma semana, não há como negar que estamos realmente acabados. Me sinto fazia por dentro, sinto como se estivesse perdendo minha mente. Há horas que não sinto o chão e há horas que não sinto minhas pernas. Parte de minha mente não vê mais sentido nas coisas, estou perdida. Perdidinha sem você.
   Alguns vão dizer que estou exagerando, você vai dizer que eu estou exagerando, mas não; só quem perdeu alguém sabe como a vida não faz sentido mais sem aquela pessoa. Toda vez que quero dizer algo, procuro por você. Meu celular não tem mais propósito sem você. Minha risada não é ouvida há dias e a minha vontade de rir não existe mais. Para todo lugar que olho, vejo você e seus olhos estão fixados em mim. Imagino o que as pessoas acham de mim, a estranha zumbi que anda por aí sem rumo. Elas devem rir, ou devem ter medo. Os humanos tem medo dos quietos, como se eles pudessem estourar de uma hora para outra, e talvez nós possamos; há um certo limite do que uma pessoa comum possa aguentar. Sei bem disso.
    Minhas amigas tentam me ajudar, realmente tentam; passam horas conversando comigo e tentando me distrair. Acho que ficar na escola nem é tão horrível assim, como era antigamente: nunca estudamos na mesma escola e isso sempre foi um motivo para eu odiar a escola. Nesses dias, ela tem sido um refúgio para mim, uma fuga da realidade, lá ninguém comenta sobre você ou diz seu nome; acho que eles fazem isso de propósito e agradeço muito por isso.
    Meu real problema começa ao chegar em casa. Sempre vou direto para o meu quarto, mas quero ficar o mais longe possível de lá. Meu quarto é um grande retângulo branco, vazio, só algumas fotos por aqui e por ali. Não tenho nenhum enfeite no quarto, somente uma cama, um criado mudo, uma escrivaninha e uma cadeira rosa. Há algumas semanas atrás meu quarto era cheio de fotos, vários ursinhos de pelúcia e aqueles fofos enfeites achados no centro das cidades. Nossas fotos eram as melhores, caretas, biquinhos, beijos, sombras, todos os tipos de fotos! Sou apaixonada por fotografia e você era minha pessoa preferida.
    Acho que a pior coisa de tudo é não lembrar como eu era antes. Não há nenhum vestígio de como era a minha vida antes de você entrar nela. Como eu passava meus dias? Com quem eu conversava? Quem ouvia minhas piadas bobas e estranhas? E agora? O que eu faço com todas essas lembranças nossas? Não posso tirá-las da minha mente, e nem quero. Quero lembrar, quero ficar nostálgica, quero me embebedar da nostalgia, para quem sabe assim eu consiga enjoar e seguir em frente. Mas não vou conseguir esquecer, por mais que queria, seu número está no meu celular, suas mensagens, suas fotos, seus tweets para mim, as músicas que você me mostrou, as séries que eu me viciei por sua causa e a marca que o anel de compromisso deixou em mim, são tudo coisas cotidianas que me não me deixam te deixar ir.

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