Primeiro dia de Aula - Parte 3





















 Assim que voltamos para a sala, o sinal tocou. As aulas eram super divertidas, talvez porque fosse o primeiro dia e eles estivessem tentando manter uma boa aparência. Professora de matemática se chamava Pâmela, tinha cabelos ruivos e as vezes dava uns gritos quando ninguém respondia uma de suas perguntas e foi a última que deu aula para gente no dia. Logo, o sinal tocou avisando o final da aula e todos os 25 alunos saíram correndo para fora da sala.
  Na nova escola não tinha aonde almoçar. Não serviam almoço na cantina, então eu e minhas amigas fomos todas almoçar em um restaurante que ficava na esquina da minha escola. A diretora havia contado sobre o restaurante para os pais dos novos alunos e todos da escola normalmente almoçavam lá. Pegamos nossas bolsas e fomos para o restaurante.
  O restaurante era laranja, tanto por fora quanto por dentro. Tinha o ar rústico, grandes janelas e mesas grandes. Ao passarmos pela grande porta de madeira demos de cara com pelo menos 20 pessoas de camisetas brancas e calças verdes iguais as nossas.
 - Será que vem outras pessoas sem ser de nosso colégio? - cochichou minha amiga Adriana. Nos entreolhamos e fomos procurar um lugar, assim que achamos um nos revesamos em cada uma pegar um prato - já que o restaurante era por kilo.
  Fui a última a pegar algo, não estava com fome e quando fui pegar comida, peguei super pouco, somente para não desmaiar até chegar em casa. Nem prestava atenção nas comidas e nas pessoas ao meu lado.
  - Nossa, tá sem fome, hein? - alguém sussurrou em meu ouvido.
 Dei um pulo para trás e quase derrubei minha bandeja. Marcos sorri e segura minha bandeja antes que ela caia.
 - Acho que você é um pouco medrosa - ele diz - Segunda vez que isso acontece.
 - Talvez seja porque você vem por trás e fala no meu ouvido como se fosse me assaltar.
 Ele ri e dá de ombros. Ele leva a minha bandeja para a moça pesar e paga com o próprio dinheiro:
 - Pode ficar com o troco moça - e se vira para mim - Vai querer uma bebida?
 - Uma..... coca. - digo hipnotizada pelos grandes olhos azuis.
 - Ok, então - ele se vira novamente para a moça - Uma coca para a mocinha ali e eu vou querer um suco de laranja.
 A moça sai e vai buscar nossas bebidas. Ele entrega minha bandeja e diz:
 - De nada
 - Por que você pagou? Eu tenho dinheiro, não preciso de caridade
 - Caridade? - ele diz como se tivesse sido acertado por um tiro - Nossa. Eu só estava tentando ser gentil com a linda moça. E depois de tudo - ele diz dando de ombros - você não tá comendo nem um quinto de um kilo, não custou nada.
 Dou um sorriso e vou voltando para a mesa quando ele me barra:
 - Então, o que está achando da escola?
 - Bem - digo, contornando-o - os professores são super legais, só a de Matemática que é um pouco brava.
 - A Pâmela só fica assim quando levou um fora, alguns dias são melhores.
 - A comida da cantina ainda não consegui experimentar, mas minha amiga contou que é boa.
 - Com certeza.
 - Só tem alguns alunos que perseguem, sabe? - digo, dessa vez encarando ele.
 - Não, não conheço nenhum - diz com um tom ingênuo. - Mas já ouviu aquela frase: persiga aqueles que ama? Eu faço dela minha frase da vida.
 - Bem, saiba Marcos, que existe meninas que não gostam de ser perseguidas.
 - Não concordo. Meninas amam que mostrem o quanto que elas valem.
 Andamos o resto do caminho em silêncio. Espero que ele não esteja pensando tanto quanto eu. Nesse silêncio só consigo ouvir meu coração, não havia percebido quanto ele bate. Marcos me faz esquecer de tudo, é como se só houvesse nós dois na sala. Assim que estamos quase na mesa das minhas amigas, ele me barra novamente e diz com um grande sorriso:
 - Foi ótimo conversar e pagar o seu lanche, Lucinda. Você é muito engraçada, sabia disso? Tomara que nos encontremos hoje novamente. Gostaria de ver suas ideias, parece que temos pensamentos diferentes.
 E ele saiu, não deixou eu responder nem que fosse um "tchau". Fiquei alguns segundos lá, congelada esperando ele voltar para eu responder. Quando notei que ele não voltaria, fui andando para a mesa das minhas amigas.

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