Seu nome. Nossas lembranças.























  Remexo nas velharias que achei escondidas e largadas no fundo da minha bolsa. Achei milhões de papéis, tadinha das árvores, que havia usado para escrever algo. É incrível como escrevemos um monte de bobagem quando a aula está um tédio daqueles. Devo dizer que era isso que muita das vezes me salvava de tirar um cochilo assim como os outros na sala.
 Grande parte desses papéis eram usados para que eu escrevesse alguma parte de alguma música que no momento da aula ficava cutucando minha cabeça incansavelmente. Ver todos essas letras me faz rir. É engraçado quando você nota que aquele hit que você jurava que tinha ficado famoso faz pouco tempo, na verdade foi febre em março; e agora só serve para ganhar prêmios de 'Melhor Música' e para servir de inspiração para fazer posts bobos em alguma rede social.
 No meio desses papéis achei um, todo amaçado e com as poucas palavras contidas rabiscadas. Eu, ou alguma amiga minha, deveria ter ficado brava ou magoada com o que estava escrito e ter tentado apagar. Fui levando o papel para se juntar aos outros quando a curiosidade gritou em minha mente para que eu lesse. Fui para a janela para pegar luz e desamassei o papel. Quando estava quase desistindo, minha mente conseguiu distinguir o que tentei esconder no fundo da alma. Lá estava, as oito letrinhas que um dia me fizeram sonhar com um final feliz, sendo você o príncipe encantado.
 Não vou negar, ver seu nome fez meu coração pular. Fui pega desprevenida. Logo, todas as lembranças voltaram. Todas aconteceram esse ano, mas enquanto elas atravessaram minha mente, pareciam um passado muito distante e inalcançável. Não demorou muito para as más lembranças viessem à tona. Os olhares e gestos carinhosos foram substituídos por você me deixando plantada no shopping e inúmeras discussões que pareciam não ter fim.
 Quando voltei à realidade estava sentada no chão, encolhida igual a um cachorrinho assustado. Amaçava com todas as minhas forças a folha. Quem diria que um nome poderia trazer tudo isso à tona, hein? Olhei para a folha. O que eu mais queria era jogá-la fora. Mas algo me prendia a ela. Era você. Seu nome era a última coisa que restava sua. Não, minha cabeça disse, chega, ela repetiu. E ela estava certa, era hora de seguir em frente. Sei que lembrarei de você em todos os momentos. Não preciso de mais nada para me prender no passado. Fui até a cozinha e peguei o isqueiro. E apena fiquei lá. Fiquei lá enquanto via você queimar.

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