Minha alma gêmea aka meu melhor amigo


   Quando nos conhecemos éramos jovens. Não, mais jovens que isso, pirralhos. Éramos dois pirralhos de 5 e 7 anos. Nossos pais trabalhavam juntos. E logo, um contava tudo para o outro. Como toda garota que te conhecia, não demorou muito para eu me apaixonar por você. O modo que ríamos de todos, tínhamos nossas próprias piadas. Seu jeito de me proteger e de brigar quando me zoavam. Como você sempre passava em casa procurando por mim. Me abraça quando me via chorar.
  Conforme fomos crescendo, fomos nos afastando. Você sempre passava em casa, mas já não me abraçava. Ríamos, mas não dos outros, nossas piadas foram perdendo a graça. Depois, fomos para escolas diferentes, era nova demais para ficar na sua escola e só nos víamos nos finais de semana. Os finais de semana foram substituídos por passeios quinzenais. E. Quando me dei conta, só nos víamos no Natal quando seu pai vinha em casa e você era obrigado a vir com ele. Meu coração sempre acelerava quando te via, mas você nem mais sorria ao me ver, mas o que quebrou mesmo o meu coração foi quando você trouxe aquela que era "o amor da sua vida" para jantar lá em casa.
  Lembro-me dela. O cabelo loiro estava sempre solto. Os olhos verdes e grandes, "seus olhos parecem o de uma coruja" disse para ela, mas você logo cortou minha piada dizendo que eu era uma menina tola e infantil. Aquilo quebrou meu coração, vê-lo sorrindo e a abraçando-a, porque você não me abraça assim eu queria perguntar. O que ela tem que eu não tenho? Mas eu não perguntei, porque tinha medo da resposta. Tinha medo de você rir da minha cara e me zoar. Não suportaria.
  No final da noite, vi vocês dois se beijando e soube que não suportaria mais. Eu decidi conversar com a minha mãe, sobre um projeto de intercâmbio que eu estava louca para fazer. Um ano longe dos dois me faria bem. Ela não aceitou, obvio, que mãe se livra da filha tão facilmente, mas ainda sim, não desisti; e toda vez que você a tocava minha vontade crescia, assim como a minha tristeza e meu choro contido. Fui dormir chorando, tanto que acabei molhando o travesseiro inteiro em lágrimas.
 Depois de muitas semanas, consegui fazer minha mãe aceitar o intercâmbio e lá fui eu: um ano longe da minha família. Provavelmente teria desistido, se você e a senhorita loira não tivessem ido se despedir de mim. Você, todo sorridente, desejando que eu tenha um "ótimo ano e que Londres seja tão incrível quanto parece", fiquei feliz, seriamente, você lembrava do meu nome, depois de tudo.
  Londres foi maravilhoso. Cada dia era melhor. Ficava tão feliz lá que não via os dias passarem. Foi a melhor coisa que aconteceu na minha vida desde que você saiu dela. Conheci muitas pessoas. Um dia 100 amigos no Facebook, no outro mais de 2000. O que melhorou não foi só minha simpatia, mas meu gosto por moda e fotografia. Me encontrei em Londres. E quando foi para ir embora, chorei muito; um pouco por saudade de casa e muito pela saudade que sentiria de Londres.
  Quando voltei você não estava me esperando no aeroporto. Não foi me visitar. Seu pai me disse que você estava sofrendo com o término do namoro, quase ri e festejei quando ouvi ele dizendo isso: você estava sofrendo com o coração partido depois de tudo. Só te vi no primeiro dia de aula. Você estava diferente, mas eu deveria estar mais porque você deu um pulo ao me ver. Mas também ficou feliz, deu um sorriso do tamanho da Lua e me abraçou no meio do corredor. Eu comecei a chorar e te abracei mais. Lembro das suas palavras no meu ouvido "Nunca, nunca, nunca mais vou deixar você ir embora. Não sou nada sem você. Você faz parte de mim. Não tenho vontade de viver sem a única pessoa que me faz feliz. Me desculpa por te deixar. Me desculpa por ser um idiota. Vou consertar os 3 anos que perdemos. Eu prometo.... prometo, só não vá embora". Lembro depois de nós dois cabulando o primeiro dia de aula para ir no cinema.
  Não demorou muito para namorarmos. E quando isso aconteceu, Londres não era nada comparado à felicidade que sentia a te ver. O resto da nossa vida passou rápido: você entrou para a melhor faculdade de Direito, eu consegui entrar na faculdade de Paris, depois que lidamos com a relação São Paulo-Paris ambos nos refugiamos em uma cidadezinha da Inglaterra e lá criamos nossos 3 filhos. E aqui estou eu, escrevendo uma mensagem que lerei em nossos 25 anos de casados. O que posso dizer? Sou a mulher mais feliz do mundo apaixonada pelo meu melhor amigo.

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